Matinhos

Com investimento milionário, litoral ainda registra falta de água na alta temporada

Ultima Atualização: 17.01.2020 às 20:30:56
Estação de Tratamento de Esgoto em Matinhos. Foto: Sanepar

Além de Antonina, que desde 2005 é destaque negativo na imprensa devido à falta de abastecimento de água na cidade, especialmente no verão, outras cidades do Litoral enfrentam esta dura realidade.

As praias da região, principalmente Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, também já têm registros do mesmo problema desde a última semana de dezembro, quando a população chega a triplicar devido ao réveillon e alta temporada de verão.

Apesar de o Governo do Estado informar que a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) implantou dois novos reservatórios de água em Pontal do Paraná, no Balneário Atami e Canoas, e recuperou a estrutura dos reservatórios de Guaratuba e da Praia Grande, em Matinhos, e também da estação de tratamento de água desta última, moradores das localidades ainda relatam a falta de água.

Na cidade de Pontal do Paraná, as torneiras com baixa pressão começaram a ser percebidas em diferentes bairros desde o último dia 27. Em Matinhos, moradores do Balneário de Gaivotas, Rivieira e Praia Grande afirmam que ficaram dias sem água e que, ao reclamar para a Sanepar, a empresa informa que é necessário economizar.

Já em Guaratuba, a população declara que o problema da falta de água não pode ser visto como algo pontual devido à alta temporada, uma vez que é recorrente e se agrava ano a ano. “Não é só pelo aumento populacional, pois no decorrer de 2019 houve várias falhas no abastecimento e a desculpa era sempre a mesma: manutenção. Mas fica claro que a manutenção das tubulações tem deixado a desejar e que investimentos são essenciais”, diz a moradora Kátia dos Santos Viana.

A Sanepar afirma que o motivo das faltas de água em diversos pontos do Litoral é a grande quantidade de pessoas. Mesmo assim, a companhia garante que, por enquanto, os problemas são pontuais, e em diversas regiões afetadas a água voltou a funcionar normalmente após poucas horas.


Canal a céu aberto passa em frente à Sanepar, em Matinhos


“Valetão” em Matinhos incomoda turistas


Outro incômodo para a população de Matinhos e, principalmente, para os turistas e veranistas que chegam à cidade pela primeira vez, é o canal de drenagem a céu aberto, chamado de Rio da Draga, com cerca de dois quilômetros, que se inicia na Rua Pastor Elias Abraão (logo após o prédio da prefeitura) e termina pouco antes da Rua Alvorada (que dá acesso ao ferryboat). O canal, conhecido por “valetão”, na Avenida Juscelino Kubitschek, que faz parte da PR-412 (rodovia que liga as cidades de Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba), está tomado pela vegetação e, em alguns trechos, por lixo.

O JB Litoral questionou o secretário de Meio Ambiente da cidade, Sérgio Luiz Cioli, a respeito do local, o qual é propício para a ocorrência de acidentes, visto que é totalmente aberto e às margens de uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Ele, inclusive, esclareceu que o canal não se trata de esgoto, mas, sim, de um sistema de drenagem construído há mais de 60 anos. “Ali não é esgoto, tanto que tem vida, como os dois jacarés que tinham o local como seu habitat, e pessoas até pescam ali. Aquilo é um canal de drenagem, e é muito importante para que haja o correto escoamento da água quando o fluxo for muito grande. Se trancar o canal, as águas subterrâneas sobem e afloram acima do nível do solo, causando alagamentos”, explica.

Segundo ele, o veranista e o morador não têm motivo para preocupação com relação ao tratamento de esgoto na cidade. “Hoje, 95% de Matinhos está com seu saneamento em ordem, e os outros 5% a maioria é devido às pessoas que moram em invasão, que não pagam imposto, têm gato de luz e água e não estão interligadas em rede. Mas quando recebemos denúncias verificamos e solicitamos a conexão”, diz.
 

Canal de drenagem, conhecido como valetão, é escondido pela vegetação, o que pode ocasionar acidentes


Obras no canal de drenagem


Sérgio Cioli esclarece, ainda, que a vegetação encontrada no canal é natural, e que apesar de a Prefeitura realizar um bom trabalho na coleta de lixo, a população precisa contribuir para a limpeza da cidade. “A questão da vegetação é normal, mas a prefeitura realiza a limpeza dos canais em média três vezes por ano. A próxima acontecerá em fevereiro. Já sobre o lixo, é a população quem joga, falta educação ambiental”, comenta.

O canal já tem previsão para receber obras de readequação. Em julho de 2018, o Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER-PR) lançou uma licitação com preço máximo de R$ 43 milhões, que prevê intervenções no trecho de 2,4 quilômetros de extensão, entre as Ruas Alvorada e Pastor Elias Abraão. Além da restauração e implantação de pista dupla na Avenida Juscelino Kubitschek, o edital contemplou a readequação do Canal de Macrodrenagem do Rio da Draga.
 

Secretário Cioli diz que obra não começou devido problemas  e que o canal ficará tubulado.


Atraso de quase um ano


Em outubro daquele ano, a Construtora Triunfo foi declarada vencedora da licitação e tinha previsão de iniciar as obras logo após a temporada de verão de 2018/2019, mas ainda nem sequer foram iniciadas. O objetivo é melhorar a fluidez no trânsito dos veículos no trecho da rodovia.

Com os trabalhos iniciados, a obra deve ter duração de 18 meses. O projeto prevê duas faixas de tráfego em cada sentido, com 3,6 metros de largura cada, totalizando 7,2 metros por pista, separadas pelo Rio da Draga, projetado entre barreiras de concreto. Na interseção com a Avenida Paraná será implantada uma rotatória com semáforo. 

Para atender os comércios da região foi prevista uma faixa de estacionamento com dois metros de largura. Em função do alto fluxo de ciclistas e pedestres será implantada uma ciclovia compartilhada. 
Também estão programadas melhorias na rede de iluminação e sinalização, além de indicação semafórica integrada. Toda a drenagem da rodovia será adequada para evitar alagamentos.

O canal, hoje a céu aberto, será totalmente revestido em concreto e reposicionado em alguns trechos. 

Segundo Cioli, a obra ainda não começou devido a alguns problemas com o DER. “Existem algumas indenizações a serem feitas às famílias que vivem mais à frente do Hospital Navegantes. Mas a ideia é começar neste ano, e o canal ficará tubulado”, diz.

A assessoria de imprensa do Departamento de Estradas e Rodagem informa que “o início dos serviços aguarda a conclusão das desapropriações das propriedades pela obra, incumbência da Prefeitura de Matinhos”.
 

Canal de drenagem deverá ser revestido em concreto e Avenida JK duplicada. Previsão é para que as obras se iniciem neste ano. Foto: Divulgação/SEIL


Sanepar investiu R$ 252 milhões


Em Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, a Sanepar investiu R$ 50 milhões nas obras de saneamento entregues ao longo de 2019. Em agosto do ano passado, foi inaugurada a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no Balneário Solimar, em Matinhos, que praticamente dobrou a capacidade, passando de 210 litros por segundo para 402 litros por segundo.

Em Pontal do Paraná, a obra de readequação da Estação de Tratamento de Esgoto Ipanema permitiu que a capacidade subisse de 140 litros por segundo para 345 litros por segundo. A cidade ganhou, ainda, mais dois reservatórios: no Balneário Atami (1 milhão de litros) e no Balneário de Canoas (2 milhões de litros). A companhia fez, também, a recuperação estrutural do Reservatório Central Brejatuba (3 milhões de litros), na Rua Coronel Carlos Mafra.

As obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário do Litoral tiveram início em 2016 e começaram a ser entregues em 2018. O total de investimentos foi de R$ 252 milhões. As ações transformaram o Litoral do Paraná na região com o melhor índice de balneabilidade do País. Antes das obras, o índice era de 52%. Em 2017, passou a 64%; em 2018, foi para 80,8%, e agora é de 81,5%. Em Matinhos e Pontal do Paraná foram implantadas mais de 500 quilômetros de rede coletora e construídas 29 estações elevatórias de esgoto.

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